terça-feira, 29 de janeiro de 2013

8. BERNARD OLSEN


         Com a inauguração da ferrovia em 1913, muitos empresários resolveram investir ao redor das estações em busca de lucros com a venda de lotes coloniais, erva-mate e madeira. Bernard, nacionalizado para Bernardo Olsen, já realizava negócios com erva-mate em Canoinhas, desde 1909. Ele conhecia bem o potencial econômico da região. Após o término da Guerra do Contestado, adquiriu ao redor da Estação Canoinhas da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, uma área de 790 alqueires e iniciou a Colônia São Bernardo. Mais tarde ampliou seu patrimônio adquirindo grandes áreas de terras em Taunay e Major Vieira.  
          Filho de Gjert Olsen, um dos primeiros noruegueses que chegou a Joinville em 1851, e casou-se com a imigrante suíça Anna Fischer. Bernardo nasceu em Joinville em 18 de fevereiro de 1862. Desde muito cedo iniciou com a atividade comercial negociando cavalos e gado. (Joinville, os Pioneiros, pg. 51). Casou-se com Maria Ritzmann, descendente de suíços e no ano de 1890. Bernardo Olsen, registrou na localidade de Lençol, município de São Bento do Sul, um açougue. Envolveu-se na política e se tornou intendente da Câmara municipal de São Bento, cargo este correspondente ao de vereador, para o período de 06/03/1893 a 22/06/1894. Foi nomeado pela junta Governativa do Estado de Santa Catarina, tomando posse para um segundo período em 27/06/1894.

            A partir de 1895 os intendentes passam a se chamar conselheiros, sendo responsáveis pela administração Municipal. Bernardo Olsen é eleito conselheiro e toma posse em 16/04/1895.
A partir dessa data se afasta da atividade política, só retornando à Câmara mais tarde, quando tomou posse em 01/01/1915, para o período de 1915/1918. Apesar de ainda estar residindo em São Bento, já estava envolvido com negócios de terras na estação Canoinhas da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande.
Cel. Bernard Olsen
                              
            EMPRESÁRIO EM SÃO BENTO E EM RIO NEGRINHO:
No ano de 1903 ampliou suas atividades, registrando um estabelecimento especializado no comércio da erva-mate em Lençol, cuja razão social era Olsen & Ritzmann. Foi pioneiro em comercializar a erva-mate de Canoinhas pelo porto de São Francisco do Sul. Em 27/10/1908 se associou a Carlos Urban e a Guilherme Bollmann, para impressão do jornal bilíngüe Volks Zeitung, do qual era redator com notícias da localidade de Lençol. Pelas suas atividades econômicas e seu poder político regional, era chamado em São Bento pelos seus adversários políticos de coronel Bernardo Olsen. Em 1909 Aleixo Gonçalves de Lima, um dos líderes sertanejos do Contestado e um grupo de colonos de São Bento, atacou o posto fiscal paranaense do Rio Preto. Bernard em seu jornal elogiou a ação de Aleixo. O Paraná retomou e reforçou esse posto e em represália prendeu 20 carroças de Bernardo Olsen, carregadas de erva-mate vindas de Canoinhas, sob acusação de contrabando do produto originário da área contestada.
Empresário de grande visão, diversificou seus investimentos, em diversos setores. Ficker, (1965, p. 434) traz a seguinte informação:
“Com um capital de 85 contos de réis, fundou-se (em 1910) a “Empresa Ferro-Carril Joinvilense” sendo sócios os Srs. Gustavo Grossenbacher, Adolf Trinks, Luiz Ritzmann e Bernardo Olsen”.Importados da Europa, vieram os primeiros petrechos já em maio de 1910, inclusive 4 500 metros de trilhos, 8 bondes a tração animal, para passageiros (cada carro continha 6 bancos com lotação de 16 pessoas e um carroceiro), e mais 8 carros para carga. Inaugurou-se a primeira linha de Bondes na presença de autoridades, empresários e grande massa popular. Era o dia 29 de janeiro de 1911, um marco histórico na vida de Joinville. Constituiu um dos aspectos mais curiosos e pitorescos a longa fila dos bondinhos percorrendo as ruas dotadas de trilhos, vistosamente enfeitados e decorados com flores e bandeiras, conduzindo a banda de música e convidados. O público que assistiu das ruas e suas casas à passagem do cortejo de bondes, ficou sob a mais alegre impressão”.
Nos primeiro tempos, os bondes rodavam repletos de passageiros e mercadorias, dando um bom lucro aos proprietários, mas com o passar do tempo os bondes deixaram de ser novidade e os horários tiveram que ser mais espaçados, reduzindo o lucro. Com a chegada dos automóveis, os trilhos, numa extensão de 7 quilômetros, forram arrancados e em 10 de abril de 1917 o tráfego a bonde foi paralisado em Joinville.
Apesar de já estar com empreendimentos econômicos em Rio Negrinho e em Canoinhas, continuou residindo em Lençol, no município de São Bento. Em 1917, registrou em Lençol um estabelecimento comercial de 2a ordem, com venda de bebidas. Na localidade de Estrada do Lago, abriu um comércio com venda de munição. Na localidade de Ponte dos Vieira abriu um comércio com venda de drogas.
No ano de 1918 continuou com seu comércio em Lençol e na Estrada do Lago, e fechou o da Ponte dos Vieira.
Em 1918 registrou em Rio Negrinho, uma casa de comércio de 2a. ordem, com venda de bebidas e comida feita (restaurante). Em 1919 continuou com comércio em Rio Negrinho, Campo de Lençol e Lençol.
Em 1920 encontra-se registrada em seu nome, uma casa de comércio em Rio Negrinho. Era um estabelecimento comercial de 2a. ordem, com bebidas e munições (sem restaurante) e ainda mantinha o comércio em Lençol, município de São Bento do Sul.
Sobre Bernardo Olsen, Kormann,(1980,p.66), assim se refere:
            “O Sr. Bernardo Olsen, comerciante e açougueiro em Lençol, pessoa dinâmica e próspera, adquiriu no raiar do século XX uma enorme gleba de terra da Família Cardoso, as terras desta Família então ainda perfaziam um vasto latifúndio por entre o Rio dos Bugres, o Rio Preto, a Estrada Dona Francisca e nesta direção até os atuais limites do Município. Consta que ao fecharem negócio a Família Cardoso, além das dívidas que ficavam saldadas na loja do Sr. Bernardo Olsen, apenas reouve um saco de farinha e o terreno todo estava pago.        
  Parte deste enorme terreno que Bernardo Olsen comprara da Família Cardoso, ficara para seu irmão Adolfo Olsen, cujos filhos, em parte ainda hoje o possuem e exploram.
O Sr. Bernardo Olsen que ficara com outra parte, abriu no espigão, divisor das águas, uma estrada, loteou e vendeu essas terras a filhos de colonos de São Bento que necessitavam de novas propriedades e formou a Colônia Olsen, ou seja, São Pedro, como é comumente chamada pelo nome de seu patrono. Nesta Colônia o Sr. Bernardo Olsen não se esqueceu de doar um lote colonial para a construção da Igreja, Escola e Cemitério.
Pelos registros consultados no Arquivo Histórico de São Bento do Sul, somente por volta de 1920, é que ele foi residir em Marcilio Dias, acompanhado de sua esposa Maria e seus filhos Francisco Waldemiro, Wiegando, Elfriede, Luiza, Emílio Líbero e Rodolpho. Deixou em Rio Negrinho cuidando dos seus negócios, além do Irmão Georg Joahannes Adolf, ou Adolfo Olsen, como era conhecido e seu filho Luís Bernardo.
Na Colônia São Bernardo, estação de Canoinhas, instalou um comércio de secos e molhados e depósito de erva-mate, ao lado norte da atual casa da família Olsen.
Em 1919 inaugurou o serviço de lancha pelo rio Canoinhas, transportando erva-mate de Major Vieira, até o porto de Marcilio Dias, localizado um pouco abaixo da ponte metálica da estrada de ferro e já dentro do pátio da serraria Wiegando Olsen. Do porto do rio Canoinhas, a erva-mate era transportada até a estação ferroviária, para ser despachada para Joinville ou Curitiba pela ferrovia. Vendendo terras, exportando erva-mate e beneficiando a madeira, ampliou sua fortuna e se tornou o mais importante líder da Colônia São Bernardo, com participação política na Câmara de Canoinhas. 
Ao fazer um pequeno histórico da maior serraria que existiu em Marcilio Dias, a Wiegando Olsen S.A., Koslow, (1983, p.3) informa:
“Por volta de 1914, chegava a Marcilio Dias, município de Canoinhas, a inconfundível figura de Bernardo Olsen, e já em 1926, precisamente a 25 de março uma chaminé e o ruído característico de uma pequeno quadro de serrar, assinalavam o início das atividades industriais da Wiegando Olsen S.A. no município."
 
No mausoléu da família em Marcilio Dias, próximo ao túmulo do casal Bernardo e Maria Olsen, estão sepultados os filhos: Luiza Olsen Trinks, e seu esposo Paulo Guilherme Trinks; Emílio Olsen, Francisco Waldemiro Olsen; Há ainda um túmulo sem identificação, cujos dados foram extraídos, por um ato de vandalismo. Nesta foto do autor, os rostos em bronze do casal Olsen ainda estavam fixados no túmulo.
Consultas:
KOSLOW, Mario. TCC sobre a Empresa Wiegando Olsen S.A. Canoinhas: UnC, 1983, p.3.
FICKER, Carlos. Historia de Joinville.  Joinville: Impressora Ipiranga, 1965, p. 434.
Arquivo Histórico de São Bento do Sul. Pesquisas do autor.
KORMANN, José. Rio Negrinho que eu conheci. Rio Negrinho: Ed. Do autor. 1980.
 Texto do Professor Antonio Dias Mafra.

       

Nenhum comentário:

Postar um comentário