sábado, 31 de maio de 2014

Lembranças de Marcílio

Fotos cedidas por Adaír Dittrich

Porto de Marcílio Dias.

Escola Manoel da Silva Quadros.

Hotel Gobbi, 1910. Este hotel ficava nos fundos da estação e
pertencia a Pedro e Tereza Gobbi.

Petronilla (dona Nena) a direita e
 Olga Righetto Ferreira.

Em frente ao restaurante da estação, 1938.
Direita para a esquerda: 1...? 2-Vitorino Ferreira seu Vitoca,
3-Pedro Gobbi 4-Generoso Prohmann....


Cavaleiros de Marcílio.
Pedro Gobbi com o cavalo Branco.

Tereza Gobbi na festa para arrecadar fundos para a construção
do Hospital Santa Cruz.


Primeira Comunhão, em frente a escola, 1943, nos fundos de onde
hoje é a Escola Manoel.
A Adaír é a menina de trança à esquerda. Nesta foto esta Lurdes Sabino
e Elvira Piermann, a professora Aline Dittrich, irmã da Adaír e o
padre Theodoro.
Breve publicarei outras fotos e a biografia da Adaír Dittrich.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Maio Amarelo

     Hoje, a Polícia Militar esteve em Marcílio realizando uma campanha de alerta de prevenção de acidentes no trânsito. No vídeo o capitão Sasinski explica esta operação:

video







segunda-feira, 26 de maio de 2014

Comemoração

       Hoje, segunda-feira, dia 26 de maio de 2014, este blog chegou a 100.000 visualizações. Um trabalho que se iniciou em 2011, partindo da amizade entre duas professoras da Escola Professor Manoel da Silva Quadros. A professora de Língua Portuguesa, Marilde Salomon Ruppel, me sugeriu fazer um blog para postar imagens e contar a história de Marcílio Dias. Concordei, mas sem estar muito motivada. Com o passar do tempo, fui ficando cada vez mais interessada. Comecei a conversar com moradores, fotografar suas propriedades, pesquisar fotos antigas e a me envolver cada vez mais. Neste tempo passei a conhecer melhor nossa vila e as pessoas que aqui moram. Também passei a frequentar festas pra poder rever pessoas, conversar e fotografar. Sempre tem alguém que conhece alguém que tem fotos antigas ou histórias pra contar. Sempre fui bem recebida na casa das pessoas que demonstram prazer em colaborar. Raras foram as vezes em  que não fui bem recebida, talvez duas ou três. Há pessoas que mandam fotos aqui na minha casa. Muitas eu fotografo, revelo a foto e presenteio a pessoa fotografada. Algumas pessoas tenho que insistir várias vezes até conseguir emprestar fotos ou documentos antigos, mas sempre  vale à pena. É muito gratificante poder ver e compartilhar com os leitores deste blog imagens que fizeram nossa história Tenho recebido convites pra fotografar eventos e acontecimentos no nosso distrito. Há muitas pessoas que já não moram mais aqui ou tem parentes ou amigos em outras cidades e acompanham o que acontece acessando o blog, por isso, esse trabalho vai continuar e, espero ainda contar com a colaboração das pessoas que gostam deste lugar maravilhoso chamado Marcílio Dias.
Fátima Santos



Ano 2000, aproximadamente. Fotos cedidas por Luis Carlos Cordeiro.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O tocador de piston de ouro

                  Virgilio Metzger

   
      Desde 1965 Sr. Virgilio Metzger começou a tocar na banda Wiegando Olsen. Com 75 anos e aposentado, era motorista, porém começou a trabalhar desde cedo na Olaria. Com 48 anos de idade já havia se aposentado, pois tinha mais de 28 anos de carteira como motorista. Em 1994 trabalhou de motorista para trazer caminhões de São Paulo, em 16 anos fez 1500 viagens. “Eu viajava de ônibus até São Paulo e voltava de caminhão, essa época já estava aposentado, mas nunca parei de trabalhar”, conta. Nos anos 30 e 40 existia a Banda Artner, e o Alexandre Thomas ganhou alguns instrumentos para a Banda que se chamava Wiegando Olsen e foi fundada em 1965. “Os instrumentos que ganhamos estavam velhos, mas conseguimos mesmo assim montar nosso grupo”, diz. O primeiro maestro foi Artz Bollmann, que iniciou junto com a Banda em 1965. O gosto pela música veio do Avô que tocava Pistão, mas não tinha paciência de ensinar os filhos. “Nenhum filho apreendeu e eu adoro tocar Pistão”, afirma. Segundo Metzger, seu Pedro Raitz foi o segundo maestro da banda e quem conseguiu patrocínio pela empresa Wiegando Olsen, por isso o nome da Banda ficou o mesmo da firma. “A empresa que nos patrocinava nessa época, nos deixava ensaiar no salão Wiegando Olsen" lembra. Depois o maestro faleceu em um acidente, sendo uma perda muito grande para os músicos. Sr. Virgilio buscou um maestro que era de Rio Negrinho para fazer parte do grupo, ele tinha alguns amigos na Alemanha e sempre recebia alguns sucessos de lá. “A gente tocava aquele repertório que era mandado de fora. As pessoas gostavam dessas músicas”, relata. A Banda Wiegando Olsen acabou em 1984, porque a empresa não estava mais patrocinando o grupo, então surgiu o Pistão de Ouro, o mesmo grupo, mas com outro nome. “Os ensaios começaram a ser na minha casa, eu comecei a exercer a função de maestro, não paramos mais de tocar”, risos. Eles tocam em casamentos, festas de aniversário, na Fesmate, já tocaram nas feijoadas que a Apoca promovia (onde tocava para ajudar no evento- sem cachê) entre outros. Atualmente os ensaios mudaram para casa do Sr. Ari que também faz parte do grupo. Ele aprecia todo tipo de música, começou tocando Sax e depois se apaixonou pelo Pistão. Há quatro anos comprou um instrumento melhor dos Estados Unidos, para ele esses instrumentos bons é muito caro. Dos filhos somente os dois homens sabem tocar algum instrumento, mas não seguiram a carreira artística do pai. Um dos netos está apreendendo órgão. “Nesse planeta todo mundo canta, os animais, os passarinhos. Todo mundo tem que gostar de música. Quando a pessoa está doente a música consegue acalmá-la. Sem a música não podemos viver, quando a gente faz o que gosta e com amor, tudo dá certo”, conclui.     
     Francisco de Assis Vitovski faz um depoimento emocionado sobre a história da Banda. “A Banda Wiegando Olsen, se ativa estivesse, estaria completando 49 anos. Foi em 1965 que o Wiegando comprou os instrumentos em Curitiba, não sei se de uma banda falida lá, ou leilão de uma banda militar, todos muito velhos e sujos e mandou para Marcílio Dias. Esses instrumentos foram todos para a casa do Sr. Alexandre Tomaz da Silva (em uma pequena casa que ele tinha na frente da sua, no outro lado da rua), onde eu e ele todas as noites limpamos e lubrificamos os instrumentos. Os metais ele limpava com ácido de bateria que trouxera da Firma Olsen. Depois foi feito uma reunião no salão do Metzger e iniciada a banda, onde eu tocava clarinete. No instrumental da banda não tinha clarinete e eu usava o meu particular. No decorrer dos ensaios passei a tocar um saxofone, este sim, da banda. Seguíamos na carroceria de um caminhão da firma Olsen e o retorno, de madrugada, era muito frio. Meia-noite a banda dava um intervalo de meia hora para descanso, na verdade para reiniciar o repertório, que era muito pequeno. Mas eu, nesse intervalo, ficava tocando sax sozinho e muitas pessoas dançavam”, relata.
Texto de Pollyana Martins.
 
                          Conjunto Piston de Ouro, atualmente é composto por:
Sergio de Carvalho - Vocal
José Ary R. Carvalho - acordeon
Virgilio Cesar Metzger - trombone
Cláudio Metzger - sax
Wilian R. de Carvalho - Guitarra
Érico Hinke - Baixo
Edinei Hort - bateria
Virgilio Metzger - piston
Felipe Soares - bateria
Ovande Rodrigues - teclado
Elton - técnico de som
 
Seu Virgilio e o pistão que comprou nos Estados Unidos. Ele sempre
usa luvas para tocá-lo. Assim o instrumento fica protegido.
 
Velho caderno de música. Fotos atuais: Fátima Santos

Livros que adquiria para tocar as músicas da época.

Carteira de músico. Na época da Banda Wiegando Olsen era obrigado ter.
Havia fiscais que iam nos bailes e festas fiscalizar. 



 



1967



Não temos as datas das fotos.
 
                              Cartazes do Conjunto Piston de Ouro:






 
 
 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Campeonato dos campeões

Vejam as imagens em www.canoinhasimagens.blogspot.com

A história do cão Graife por Adaír Dittrich

  Graife foi um imponente perdigueiro de negra e reluzente pelagem que vivia em nossa casa em um tempo em que os cachorros podiam circular livremente, sem coleiras e sem placas, por toda a vila. Dócil e amigo e de um inesquecível olhar meigo e cativante. Não tinha um grande porte, mas servia de montaria para muitas crianças que dele faziam o seu cavalo.
De manhã cedinho ficava a postos, ao lado do portão da casa, para acompanhar quem primeiro saísse em direção ao Restaurante da Estação Ferroviária da vila de Marcílio Dias onde receberia a primeira refeição do dia. E por ali e em torno dali perambulava visitando os ferroviários em plena sala do telégrafo ou na casinha onde ficava o Posto de Revisão dos trens.
Enquanto os trens de passageiros não chegassem ficava modorrentamente ronronando em cima de um capacho junto às duplas portas de vai-vem na entrada do salão de refeições do restaurante. Como um soberano sentinela, só deixava passar livremente quem ele conhecesse.
Levantava-se de um pulo e corria a dar sinal da chegada dos trens antes mesmo que eles estivessem no início da última curva antes da ponte para os que à tarde vinham do leste e bem antes ainda do limite do Triângulo para os que de manhã procediam do oeste.
Graife tinha a pata dianteira direita avariada. Assim, mancando, é que dele eu me lembro. Correndo com as três pernas boas levava a outra balançando no ar ou mesmo arrastando a pata ruim pelo chão. Foi nas rodas de um trem que aconteceu o traumatismo que aleijou o nosso cão. Foi num ato de heroísmo ao se atirar entre o trem e a plataforma da estação, à frente de uma criança que correndo vinha e estava quase caindo nos trilhos. Salvou-se a criança e o nosso herói teve a pata moída sob as rodas.
Mas, esta pata era a festa. Dele e nossa. Com esta pata ele cumprimentava as pessoas. Ele a estendia a quem com ele fosse conversar. Era só dizer: ”Bom dia, Graife” ou “Boa tarde, Graife” e ele estendia a mão. Perdão, a pata.
Na temporada de caça às perdizes meu pai tirava férias de seu serviço de fiscalização de trens e de estações. E o companheiro inseparável, ali, ao lado dele, acompanhando todos os preparativos, com os ansiosos olhos mais brilhantes ainda.
Era um limpar e azeitar a espingarda. Era um montar de cartuchos. Era um medir de pólvora e chumbo. Enfim, aquela azáfama toda que precede uma boa caçada. E o Graife ali. Rente. Só no aguardo da largada triunfal.
Cedinho eles saíam. Lá para os chamados Campos dos Miranda, um território independente, à margem direita do rio Canoinhas e à esquerda da linha férrea no sentido Três Barras a Marcílio Dias. A bem poucos e selecionados era dada a permissão para lá entrar e caçar. Meu pai tinha esse privilégio.
Voltavam à tarde carregados de perdizes. E somente as cabeças haviam recebido o chumbo disparado. Quando havia chumbo em mais algum lugar do corpo da ave minha mãe já dizia: “Não foi o Adolpho (meu pai) quem abateu esta”. E o detalhe mais importante era o comentado sobre o nosso Graife e a sua maneira de levantar a caça com sua chegada sutil e cautelosa ao esconderijo entre as moitas. E, depois do tiro que acertava a ave no ar, a queda e Graife a buscá-la, trazendo-a presa entre os dentes, sem nada estragar. Abocanhava a perdiz pela ponta das asas ou pela cabeça. Sempre.
Ele era o Graife. Imponente e nobre, como um “Graf”, de onde veio seu nome. Que virou Graife para todo mundo. O dócil Graife, o amigo Graife.
Era uma outra criança brincando com as crianças. Brincava de bola, de correr, de pegar, de amarelinha, de esconder e até de pular corda.
Era o guardião da casa, da família, do restaurante, da estação, de todos, enfim.
Era o caçador sensível e irresistível que acompanhava o meu pai.
E num dia em que eu já estava estudando fora recebo a triste carta de minha mãe contando que o nosso Graife tinha partido para morar no céu dos cachorros abençoados junto com seus anjos-irmãos.
Naquele tempo os pátios das estações ferroviárias eram pavimentados com o sambaqui que era trazido em vagões-plataforma dos sítios arqueológicos do litoral. Creio que a este material não era ainda dado o valor histórico que hoje se dá para que se possa fazer o mapeamento de antigas civilizações que as nossas costas habitaram.
O sambaqui era simplesmente retirado de seu habitat e trazido para atapetar o pátio das estações de trem. Removidos eram dos vagões e deixados à margem dos trilhos em montões regulares, abobadados. O sambaqui já era uma pastosa massa acinzentada recheada de conchas do mar e com a chuva transformara-se em um montão escorregadio.
E o Graife por estes montes estava correndo, como sempre o fizera, com suas três pernas. Suas pernas, a esta altura já mais fatigadas, já mais artrosadas pelo passar dos anos, não conseguiram correr e pular como sempre o fizera acompanhando o trem que passava. E escorregou. E foi para o lado dos trilhos. E não conseguiu mais sair. As rodas passaram por cima de Graife.
Com um uivo que se espalhou pela vila inteira, arrastou-se para debaixo do assoalho do restaurante.
Às pressas meu pai galgou a escadaria que ficava ao lado, atravessou o campinho até a nossa casa, carregou a espingarda e veio dar o tiro de misericórdia que acabaria com o sofrimento de Graife. O choro de meu pai foi o choro do mundo àquela hora.  E eram as lágrimas de um povoado inteiro que ficou órfã e de luto do seu Graife.
Foi longo o tempo que se passou para meu pai voltar a caçar. Até um dia em que apareceu uma cadela chamada Moka. Mas esta é outra história. A história de Moka.

 Publicado no http://www.jmais.com.br/category/colunistas/adair-dittrich/

O senhor à esquerda é Adolfho Dittrich, no rio Canoinhas,
no Porto de Marcílio Dias, que ficava no fundo da Firma
Wiegando Olsen. O cão pode ser o Graife. Ano de 1940
aproximadamente.

Imagem de Marcílio Dias. Caçador com perdizes.

Cão com perdizes.
As fotos são do acervo de Adaír Dittrich.

Conselho Comunitário de Segurança - Comunicado

           Convite
   Neste sábado, dia 24 de maio, a partir das 13:30 horas, o Conseg Norte de Marcílio Dias, estará visitando as residências para conversar e alertar os moradores sobre a segurança da nossa vila. Contará com a presença das alunas soldados do 3º BPM. Todos estão convidados a participar desta panfletagem. É só comparecer na sede, no horário marcado.
    "Se cada um fizer a sua parte, nosso distrito continuará sendo um lugar bonito e tranquilo de se morar."
 
 
 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Amanhecer com lua

 
           As imagens a seguir foram registradas agora de manhã em Marcilio.


Nascer do sol.

Nascer do sol, rua Miguel Barabacha.

Rua Rodolfo Grützmacher, observem a lua à direita.

Rua Rodolfo Grützmacher ao nascer do sol.

Alto da rua Rodolfo Grützmacher.


           
                           Fotos: Fátima Santos