domingo, 15 de outubro de 2017

Parabéns Professores!

"Educar é um dom concebido aqueles que antes de tudo aprenderam a se doar, o magistério é uma eterna doação de amor, de conhecimento, de experiências de vida. A todos os doadores incondicionais aos quais chamamos de professores, nossos votos de muitas felicidades neste dia 15 de outubro." Luis Alves

Professores e funcionários da EEB Prof. Manoel da Silva Quadros.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Recordações da minha infância - O Tiro ao Pombo/Prato

      A foto do Blog do Distrito de Marcilio Dias, em 11 de setembro de 2017, postada por Fátima Santos,  mostrando as instalações do “Stand da Sociedade de Tiro ao Alvo “SÃO BERNARDO”, despertou algumas recordações de minha infância. Embora nos documentos conste como Sociedade de tiro ao alvo, é importante esclarecer que o alvo não era um círculo de papel, mas eram pombos criados nas proximidades das instalações do Stand para essa finalidade e os  pratos eram de cerâmica. Na minha infância morava próximo ao Stand e via as revoadas de pombos no final de tarde para depois se alojarem nos pombais. Os pombos criados era de tamanho grande, chamados de pombo correio e ocupavam várias construções, os pombais. O maior pombal, era construído em armação metálica, revestida por tela de arame. Nele os pombos passavam por um processo de engorda  e ao mesmo tempo se estressavam muito, pois eram centenas de aves ocupando um espaço, onde área de voo era reduzida. Os responsáveis pela criação era o empregado da serraria Wiegando Olsen S.A., sr. Emilio Seidel e sua família. Um dia antes do inicio das competições,  os pombos eram recolhidos em caixas, transferidos para o Stand e ficavam  aguardando o momento para serem, abatidos. 
  O Stand de tiro em Marcilio Dias estava localizado na área onde mais tarde foi construído o Salão, um pouco adiante do estádio de futebol do time São Bernardo. Na foto do Blog vemos várias construções, rodeadas pela mata da várzea do rio Canoinhas. Essa área de mata era desabitada e favorecia a prática do tiro com segurança. Como o evento era divulgado com bastante antecedência nenhum morador de Marcilio Dias se arriscava a cruzar pelos fundos do Stand. Voltando à foto, vemos o prédio maior que era o salão social reservado aos atiradores, com seu restaurante e o bar, onde os competidores ficavam ao redor das mesas tomando cerveja e aguardado ser chamado para atirar. Em frente ao salão estavam localizadas as barracas, para a venda de bebidas e lanches para o público em geral. Na esquerda da foto vemos uma construção de um pombal, em área cercada por ripas de imbuia. A área de tiro era em forma circular, cercada por cerca de ripas, com um portão, para acesso do atirador e do responsável pela liberação do pombo e pela sua posterior reposição nas caixas. No centro estava localizada a casamata, que protegia o responsável por acionar o mecanismo que abria a caixa para liberar o pombo. Dentro desse cercado que delimitava a área do abate, formando um semicírculo, estavam localizadas as caixas onde os pombos eram colocados e aguardavam para serem liberados e abatidos. Não me recordo bem, mas acho que eram seis caixas de onde os pombos voavam para a morte. O atirador quando era chamado, se dirigia para o portão do Stand numa área já pré-determinada. Erguia a arma em posição de tiro e aguardava o momento da abertura aleatória de uma caixa, com a saída repentina e o pombo tomava qualquer direção. O atirador tinha que acertar o pombo no primeiro tiro para receber a maior pontuação. Se errasse o primeiro, podia utilizar o segundo tiro. Para a pontuação ser maior o pombo tinha que cair dentro do circulo. Nem todos os pombos eram abatidos, feridos voavam sobre a cerca e se refugiavam na mata localizada entre o Stand de tiro e o rio Canoinhas. A maioria morria e ao anoitecer muita gente, com lanterna de pilha na mão ia para o mato, recolher os pombos mortos.
            O primeiro dia de competição era dedicado ao tiro ao pombo e no segundo dia, a principal competição era tiro ao prato. O prato era de cerâmica, tinha o tamanho de um pires, de cor preta, e era arremessado das mesmas caixas de onde saiam os pombos. O prato era colocado sobre um mecanismo com uma mola que quando liberada arremessava o prato para o alto e para frente.  O atirador tinha que ficar atento, pois não sabia de qual caixa o prato ia ser arremessado. A pontuação era a mesma do pombo, abatido com um tiro contava mais ponto que com dois tiros.
 

 A arma utilizada pelos atiradores era uma carabina calibre 12, dois canos, e eram guardadas dentro de estojos como se fossem joias. Os meninos curiosos se aproximavam do salão social para identificar as armas expostas, das marcas Rossi e CBC. Os cartuchos utilizados eram de fábrica e depois de atirados, eram jogados no lixo onde nós recolhíamos os vazios e as caixas para guardá-los e exibir o troféu aos amigos. Os cartuchos eram confeccionados em papelão, com a base metálica e utilizavam como munição pólvora sem fumaça e chumbo pequeno. A marca dos cartuchos era CBC e as cores predominantes era o vermelho, azul e verde. 
            Na época, a minha família morava na área residencial da empresa Wiegando Olsen S.A., a Cafina, em casa, próxima aos trilhos, localizada a 500 metros do Stand. Quando os atiradores começavam a chegar buzinando os seus carrões importados, reuníamos os meninos da vizinhança e corríamos para observá-los. Um carro era mais reluzente que o outro. O tiro era um esporte caro e somente as pessoas com recursos financeiros participavam do evento, por causa dos elevados custo das armas, munições, inscrição, hotel, restaurante entre outros. Os carrões vinham de Curitiba, Mafra, Rio Negro e Canoinhas e os meninos de Marcilio Dias viam aquela ostentação e ficavam se babando. Os atiradores saiam de seus carros em terno, gravatas como se viessem para uma festa de formatura ou casamento. Quase todos usavam chapéu escuro de aba estreita.  Os atiradores mais conhecidos e preferidos por nós era o Waldemiro Olsen com sua gargalhada singular, o seu Loeffler, irmão do cervejeiro, residentes em Canoinhas. Torcíamos também para os residentes em Marcilio Dias dos quais me lembro, Alfredo Lepper, Emilio Sabotker, Herbert Ritzmann e Gilberto Ritzmann. Não podíamos deixar de torcer por, Wiegando Olsen e Marcos Olsen, residentes em Curitiba. Mas havia mais de uma dezena de atiradores que não guardei o nome, por não conhecê-los pessoalmente ou por esquecimento.
            O mais jovem atirador era Marcos Olsen, filho de Wiegando Olsen, a sua precisão no tiro, causava admiração principalmente aos mais jovens como nós, que o tínhamos como ídolo. Quando ele era chamado, corríamos curiosos para vê-lo abater o pombo ou o prato no primeiro tiro. Nos campeonatos que acompanhei, ele sempre foi o campeão, recebendo o maior troféu da competição. Marcos Olsen se aperfeiçoou como atirador e tornou-se atleta olímpico. Na década de 50 já vencia campeonatos de tiro no Brasil e no exterior. Na década de 1960 era o campeão de tiro ao pombo e tiro ao prato, no Stand da Sociedade de Tiro ao Alvo “SÃO BERNARDO”, em Marcilio Dias. Pelo Brasil e exterior foi muito premiado pelo seu desempenho no Tiro Prato. Residindo com sua família em Curitiba, era visto poucas vezes em Marcilio Dias. Na época do campeonato a família vinha residir no casarão de Bernardo Olsen, e Marcos era visto fazendo o trajeto entre Marcilio Dias a Canoinhas em alta velocidade com sua camionete DKW Wemag.

            Marcos Olsen representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Montreal no Canadá, no ano de 1976, na modalidade de Tiro Fossa Olímpica, onde obteve o 11º. Lugar, abatendo 181 pratos.  Nos jogos Olímpicos de Moscou no ano de 1980, na modalidade Tiro ao Prato, obteve o 18º. Lugar, abatendo 187 pratos. Nos jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, na modalidade Fossa Olímpica, obteve o 10º. Lugar, abatendo 188 pratos, conforme dados do Comitê Olímpico Brasileiro. 
Meu pai era empregado da Wiegando Olsen S. A. e com um grupo de amigos auxiliava no evento como assador de churrasco e ou garçom e no final do dia era feita a distribuição dos pombos para esses trabalhadores. Lembro que meu pai trazia para casa em torno de 20 pombos e ficávamos até tarde da noite tirando as penas enquanto que minha mãe cortava as aves em pedaços e temperava. Lembro que enchia panelas e no outro dia minha mãe distribuía parte dos pombos limpos e temperados para os vizinhos mais próximos.
1 - casinha de criação de pombos
2.-  restaurante ou refeitório
3 - local para assistir os torneios
4 - local das autoridades
5 - local onde ficavam os fiscais ou juízes que avaliavam o desempenho dos atiradores.
6 - local onde ficava o soltador dos pombos e dos pratos. 
Escrito pelo Professor Antônio Dias Mafra da UnC de Mafra.